KILIMANJARO – O CUME DE EMILIE

KILIMANJARO – O CUME DE EMILIE

Emilie é uma pessoa comum, mas com um objetivo: escalar a maior montanha do continente africano, o Kilimanjaro. Pra ela, como para muitos, a escalada do Kilimanjaro era um mito, um sonho de criança. Motivada pelo desafio físico e mental, ela enfrentou esse gigante no teto da África. Pra nós, ela volta no tempo pra contar como foi sua preparação, seu estado de espírito e sua experiência.

Como você se preparou pro Kilimanjaro?

Eu diria que já sou uma pessoa esportiva. Corro 10km no mínimo 2x por semana e vou todo final de semana fazer algum trekking na Serra da Mantiqueira. Se pensar só na escalada, eu já sabia que seria mais resistência do que esforço físico propriamente dito.

Todos têm que saber que subir o Kilimanjaro é uma verdadeira escala em alta montanha apesar de não ter nenhum trecho técnico. Em contrapartida, a altitude dessa montanha pede que tenhamos uma experiência prévia em alta montanha. Sobre a minha escalada, eu já tinha tido experiência em alta montanha nos Alpes franceses. Antes de querer escalar o Kilimanjaro, eu recomendo que todos tenham uma experiência prévia nos Alpes ou nos Andes por exemplo. Isso vai fazer com que você se conheça melhor e vai saber como seu corpo vai reagir na altitude. E também vai fazer com que você aproveite mais a viagem.

Como funcionam os dias de escalada?

De manhã, todos acordam de bom humor, damos uma olhada pro cume pra criar aquela motivação e todos entram na barraca refeitório pro café da manhã. Assim que todo nosso equipamento está organizado dentro das mochilas e todos estão prontos, começamos um trecho de mais ou menos 4 horas de trekking. Lá pelo meio dia, fazemos uma pausa pra almoçar uma refeição quente, sentados na beira de uma mesa no meio de um de paisagens inacreditáveis. Algumas pessoas tiram um pequeno cochilo e logo depois seguimos pra mais umas 4 horas de trekking até o acampamento. Quanto mais alto estamos, mais o ritmo da caminhada diminui.

Que tipo de paisagem vocês cruzam no caminho?

O trekking começa nas florestas do Kilimanjaro. Um ambiente úmido e enevoado nos acompanha. No caminho, vemos muitos macacos. Depois que passamos esse trecho enevoado, o real espetáculo começa. O sol começa levemente a nos esquentar e descobrimos pela primeira vez o cume que parece nos observar, majestoso.

Tive a impressão de caminhar pelo teto do mundo por 7 dias seguidos. O mar de nuvens sob nós fez com que as vistas fossem incríveis. As vezes tinha até uma sensação de vertigem, pois víamos o céu sob nossos pés. Diversas vezes nos perguntávamos em qual planeta estávamos.

Qual o clima durante a escalada?

O clima no Kilimanjaro é sempre Hakuna Matata (sem preocupação), Pole pole (devagar) e Jambo (vamos). Tudo se resume a essas três expressões de Kiswahili que nos acompanham durante todo o dia. A caminhada é igualmente ritmada pelo vai e vem dos porteadores, cozinheiros, guias e assistentes que, pelos sorrisos e canções, com um bom ritmo de caminhada, nos fazem aclimatar corretamente. Nos sentimos completamente seguros.

O estado de espírito é importante…

Está claro que mesmo que estejamos completamente entrosados, o Kilimanjaro nos traz uma experiência individual muito forte. Cada um deve atacar o cume no seu ritmo: sem uma boa preparação, o profissionalismo e a energia de toda a equipe não surtiriam o mesmo efeito. É uma convivência fabulosa com o ballet daqueles de trabalham duro pra nos levar até lá em cima.

O que você sentiu quando atingiu o cume?

O que eu lembro na hora é a imensa emoção de estar lá em cima, a sensação de mais uma etapa concluída, já que eu tinha atingido o ponto culminante do Uhuru Peak, com 5.895 metros de altitude, com um trabalho em equipe impecável. Nós chegamos no cume depois de muito esforço. Que alegria!

Dentre as imagens que trouxemos na mente, os rostos e os sorrisos do nosso grupo, assim como o mar de nuvens que nos rodeavam. Mas minha melhor lembrança são as noites acampados sob o céu estrelado. O ar é puro, a via láctea é intensamente presente. É preciso coragem pra sair do saco de dormir quentinho pra colocar um tripé a -5 / -10ºC, mas o espetáculo é inacreditável. Com o passar da noite, o céu passa de um preto azulado pra um preto violeta. Impressionante!

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